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16/02/2011

Anomalia de Pelger-Huët


Por: Silvana Midori - Médica Veterinária
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A anomalia de Pelger-Huët é uma anormalidade benigna dos leucócitos, em que se observa a segmentação incompleta do núcleo dos granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos), descrita pela primeira vez por Pelger em 1982. As células Pelger-Huët são funcionalmente normais, mantendo as funções enzimáticas e fagocíticas dos neutrófilos e possuem sobrevidas em circulação iguais as dos leucócitos normais.

Morfologicamente apresentam cromatina grosseira e número reduzido de segmentações. Essa alteração é observada no hemograma durante a leitura do esfregaço sanguíneo no microscópio óptico.
A presença dos achados morfológicos característicos da anomalia de Pelger-Huët nos esfregaços sangüíneos de outros membros da família é fundamental para estabelecer a origem hereditária dessa anomalia. Sua correta identificação consiste na diferenciação entre o "desvio à esquerda", comum em algumas infecções e a alteração hereditária.

A importância de se identificar esta anomalia reside no fato de evitar confundir com a de animais normais que estejam apresentando um “desvio a esquerda”, como aquele que é decorrente de processos infecciosos. Por exemplo, um animal com a anomalia de Pelger-Huët pode apresentar no seu hemograma um grande número de bastonetes e isso não significa que ele esteja com um processo infeccioso. Assim, evitam-se interpretações errôneas do hemograma e condutas clínicas e terapêuticas desnecessárias.

Para estabelecer o diagnóstico de Pelger-Huët, sugere-se pesquisar essas anormalidades no hemograma de outros membros da família, bem como excluir a possibilidade de processo infeccioso vigente no momento da coleta do sangue. Existe, ainda, um quadro chamado de pseudo-Pelger-Hüet, no qual essa alteração pode ser adquirida, sendo causada por reações a drogas e em alguns casos de mielodisplasias.

No Provet já analisamos animais da raça australian shepherd, dachshund e lhasa apso com a presença da anomalia de Pelger-Huët. Em seus históricos clínicos todos os animais eram sadios, sem doença prévia ou tratamento, e na pesquisa de membros da família também se observou a mesma anomalia. No laudo do hemograma completo, ao observarmos tal suspeita liberamos uma nota na observação na série branca.

Veja algums imagens da patologia clicando em "Galeria de Imagens".

fonte: Provet