Artigos técnicos

07/07/2011

Doenças transmitidas por carrapatos: Erlichiose e Babesiose


Por: Dra. Claudia Veronica Calamari - Médica Veterinária, MSc, PhD - Colaboração: M.V. Ricardo Duarte Lopes
Especialidades relacionadas:

Atualmente tão diagnosticada nos centros urbanos, as hemoparasitoses erlichiose e babesiose são doenças infecciosas muito comuns em cães e rara nos gatos. São conhecidas popularmente como “doenças de carrapato”, pois seu principal vetor e reservatório é o carrapato do gênero Rhipicephalus sanguineus conhecido como “carrapato marrom” ou “carrapato vermelho”. O carrapato contaminado inocula o agente através da saliva no momento da picada. Os cães podem ser contaminados por um ou pelos dois agentes ao mesmo tempo.

Na erlichiose o agente da doença é a Erlichia sp, e a espécie mais comum e que causa a doença clínica mais grave é a E. canis. Trata-se de uma bactéria gram-negativa, parasita intracelular obrigatória de células sanguíneas principalmente do sistema fagocitário mononuclear, tais como monócitos, macrófagos e neutrófilos. O período de incubação pode variar de 7 a 21 dias e a doença clínica pode ser classificada em aguda, assintomática (estado de portador) e crônica. A apresentação clínica e achados laboratoriais são similares e a duração e severidade das manifestações variáveis.

Na babesiose o agente causador desta enfermidade é o protozoário do gênero Babesia sp e as espécies que mais acometem o cão são a B. canis e B. gibsoni que ao entrar na corrente sanguínea dos cães parasitam e se multiplicam nos glóbulos vermelhos. Quando estas células se rompem os agentes parasitam outras células, levando a uma rápida destruição das hemácias e anemia intensa. As manifestações clínicas da babesiose podem variar de acordo com o agente isolado, idade e resposta imune do hospedeiro e são classificadas sob as formas subclínica, aguda, hiperaguda ou crônica.

De um modo geral podemos observar na erlichiose e na babesiose as seguintes manifestações clínicas:

- febre
- apatia, anorexia, letargia, depressão
- palidez das mucosas
- anemia
- sinais de distúrbios de coagulação: epistaxes, petéquias, melena, hematúria, icterícia e hemoglobinúria.
- esplenomegalia
- edema

O diagnóstico baseia-se na anamnese, exame físico e exames laboratoriais. O PROVET disponibiliza os seguintes exames para auxiliar o clínico veterinário:

- Hemograma e pesquisa de hematozoários: avalia-se através destes exames a presença de anemia regenerativa, trombocitopenia, e a presença do agente no esfregaço sanguíneo, não podendo ser considerado diagnóstico conclusivo se o resultado for negativo para a pesquisa de hematozoários. Coletar de 1 a 3 mL de sangue e colocar em tubo de tampa roxa com anticoagulante E.D.T.A. e o prazo de entrega dos resultados é de 24 horas ou solicitado com urgência para um período de 4 horas.

- E.L.I.S.A. para erlichia e E.L.I.S.A. quádruplo (Erlichia, Anaplasma, Lyme e Dirofilaria): este exame baseia-se na busca de anticorpos anti-erlichia, anti-anaplasma (antiga Erlichia platys), anti-Lyme e antígenos do parasita Dirofilaria immitis, em cães suspeitos. Este teste pode ser realizado, no soro ou plasma e o resultado entregue em 24 horas ou solicitado com urgência para um período de 4 horas.

- RIFI (Reação de imunofluorescência indireta) para erlichia e babesia: também um teste sorológico capaz de detectar anticorpos anti-erlichia ou anti-babesia (solicitados separadamente). Basta coletar de 1 a 3 mL de sangue do animal suspeito e armazenar em tubo com tampa vermelha ou amarela (tubo seco). Prazo de entrega até 7 dias.

- PCR (Reação em cadeia de polimerase) para erlichia: este teste constitui um diagnóstico altamente sensível, pois identifica os animais positivos através do isolamento e amplificação do DNA do parasita presente na amostra biológica enviada ao laboratório, podendo resultar em falso negativo dependendo da fase da doença. A técnica possui a vantagem de detectar o DNA do parasita nos primeiros dias pós-infecção e controle no tratamento da doença. Basta enviar de 1 a 3 mL de amostra de sangue em tubo de tampa roxa com anticoagulante EDTA. O prazo de entrega para este resultado é de até 10 dias.

A equipe do Laboratório do Provet está disponível para esclarecimento de dúvidas junto ao médico veterinário. Qualquer problema ou dúvidas entre em contato conosco.


Leituras complementares sugeridas

http://www.revista.inf.br/veterinaria04/relatos/relato03.pdf
http://www.sovergs.com.br/conbravet2008/anais/cd/resumos/R0688-2.pdf
http://www.sovergs.com.br/conbravet2008/anais/cd/resumos/R1072-1.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-09352002000500016&script=sci_arttext
http://www.jarvm.com/articles/Vol4Iss2/Sa.pdf
http://www.fcav.unesp.br/download/pgtrabs/pan/m/3058.pdf
http://www.ufg.br/this2/uploads/files/62/2008_37_3_229_236.pdf
http://www.scielo.br/pdf/cr/v37n3/a30v37n3.pdf
http://www.geneticsmr.com/year2008/vol7-3/pdf/gmr468.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782010000600011
http://www.cbpv.com.br/rbpv/documentos/1832009/rbpv.01803010.pdf

ALMOSNY, N. R. P. Hemoparasitoses em pequenos animais domésticos e como
zoonoses. Rio de Janeiro: L.F. Livros de Veterinária Ltda. p. 58-63, 2002.

BIRCHARD, S. J.; SHERDING, R. G. Clínica de Pequenos Animais (Manual Saunders). São
Paulo: Editora Roca. 1793 p, 2003.
O’DWYER, L.H.O. Diagnóstico de hemoparasitas e carrapatos de cães provenientes de áreas rurais em três mesorregiões do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. 2000. 97f. Tese (Doutorado). Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
SLOSS, M. W.; KEMP, R. L. Parasitologia Clínica Veterinária. 6ª ed. São Paulo: Editora
Manole, 198 p, 1999.

 

fonte: Provet