01/11/2010
Cinomose
A Cinomose é uma doença infecciosa que acomete cães, canídeos silvestres (Família Canidae) e integrantes da Família Mustelidae (Furões e Ferrets), Mephitidae e Procyonidae.
É causada por um vírus da Família Paramyxoviridae, e atinge principalmente animais jovens e idosos que não possuem a vacinação. A Cinomose é transmitida majoritariamente por aerossóis e gotículas infectantes, mas também pela água e por alimentos contaminados pelas secreções, bem como através de fômites de animais infectados.
O vírus da Cinomose atinge, no 1o dia, os macrófagos do trato respiratório alto e das amígdalas; no 2o e no 3o dias, o vírus estabelece uma viremia, sendo encontrado nas células mononucleares do sangue; do 3o ao 6o dia o vírus se replica no sistema linfóide de todo o organismo (medula óssea, timo, baço, linfonodos mesentéricos, placa de Peyer, células mononucleares ao redor dos vasos e brônquios pulmonares); entre o 2o e 6o dia ocorre o primeiro pico febril; entre o 6o e 9o dia as células mononucleares com vírus são vistas em todo o organismo; a partir do 9o dia há a invasão das células epiteliais pelo vírus. Os vírus se replicam nestas células e se estabelece um segundo período febril.
O período de incubação pode durar de 1 a 3 semanas após o contato com o agente, resultando em febre, sintomas respiratórios (tosse e espirros), digestivos (diarréia), cutâneos (pápulas e hiperqueratose de coxins) ou neurológicas (convulsões e tiques nervosos), causados principalmente pela replicação em tecidos epiteliais e desmielinização do sistema nervoso.
O Provet disponibiliza atualmente quatro tipos de diagnóstico para a Cinomose:
1- Cinomose PCR: através de uma amostra de sangue com E.D.T.A, o vírus será replicado numerosas vezes para que a partir de uma amostra viral se consiga um número exponencial 100 vezes maior, permitindo encontrar o vírus na circulação. A vantagem é que a partir de um único agente se consegue amplificar e conseguir um resultado mais fiel. Mas há algumas desvantagens: o vírus precisa estar circulante, não bastando que o animal esteja com o resquício da doença para se fazer o teste (quando a eliminação do agente já foi feito pelo sintoma imunológico); o custo do exame é elevado e o tempo de realização também (uma semana).
2- Cinomose ELISA: é analisada a presença do Antígeno da cinomose através de secreções da mucosa do olho, saliva, secreção nasal ou urina (obrigatoriamente sendo coletadas no Provet), ou através do soro ou plasma sanguíneo (podendo ser coletado na Clínica). O princípio é parecido com o da Cinomose PCR, mas não há a replicação in vitro do vírus. Vantagem: o diagnóstico é rápido (24 horas ou 4 horas com urgência) e barato para verificar a presença do vírus. Desvantagem: cargas virais muito baixas podem gerar um falso negativo.
3- Cinomose Soroneutraliazação: é testada a presença de anticorpos da cinomose através do soro sanguíneo. Vantagens: verifica a presença de anticorpos da doença mesmo em casos onde não se encontra mais o vírus circulante; e grau de resposta frente ao agente. Desvantagens: há demora no resultado (20 dias); não pode ser utilizada em animais imunologicamente imaturos (filhotes); interfere com anticorpos vacinais e não há produção de anticorpos dependendo da fase da doença em que o animal se encontra (a conhecida “janela imunológica”).
4- Pesquisa de Corpúsculos de Lentz: faz a análise utilizando a inclusão em células sanguíneas (hemácias e leucócitos) da amostra de sangue com E.D.T.A. Vantagens: custo baixo e rápido resultado. Desvantagens: não é um exame muito específico quanto às sorologias, pois o vírus precisa estar em replicação nas células sanguíneas para que as estruturas se corem.
fonte: Provet