Artigos técnicos

09/01/2012

Displasia coxofemoral


Por: M.V. Carlo Leonardo G. Fratocchi

A displasia coxofemoral é uma anormalidade do desenvolvimento ou crescimento da articulação coxofemoral, caracterizada por instabilidade, arrasamento do acetábulo e alterações na cabeça e colo do fêmur, as quais se desenvolveram ao longo do primeiro ano de vida, conduzindo a fenômenos de deficiência funcional ao final de um período variável.

A displasia é uma síndrome bastante observada em cães, e de importância questionável em gatos. Ela ocorre com mais freqüência em raças de maior porte e de crescimento rápido. Embora a displasia coxofemoral tenha sido assinalada em raças pequenas e em gatos, suas articulações coxofemorais instáveis não produzem as mesmas alterações ósseas comparadas aos cães mais pesados.

A etiologia é de origem genética, multifatorial e poligênica, e pode ser influenciada por inúmeras variáveis entre elas fatores nutricionais, de biomecânica, de criação etc.

A patofisiologia inicia-se com o desenvolvimento de uma subluxação da articulação coxal e de níveis de instabilidade articular, que progridem acarretando uma série de alterações anatômico funcionais nas estruturas ósseas que compõem a articulação. Em casos mais avançados ocorre a formação da doença articular degenerativa secundária.

Clinicamente o cão apresenta claudicação, redução da atividade associada a uma notável sensibilidade nos membros pélvicos, alteração no andar, correr, subir escadas, sinais estes que podem ser exacerbados após exercícios vigorosos ou traumas relativamente pequenos. O cão prefere sentar-se em vez de posicionar-se em estação e levanta-se lentamente com grande dificuldade. Também
podemos observar protrusão do(s) trocânter(es) maior(es) em indivíduos com
articulações luxadas ou subluxadas, crepitação na articulação coxal e sinal de Ortolani
positivo.

O grau de displasia coxofemoral de um animal não tem relação com os sintomas clínicos exibidos por este. Um cão displásico pode ser assintomático ou não.

O diagnóstico é baseado na anamnese apresentação e sintomas e confirmado pelo estudo radiológico. O estudo radiológico deve ser feito conclusivamente a partir do vigésimo quarto mês completo de idade, para todas as raças. Esta condição poderá ser precedida de avaliações preliminares, que fornecerão
dados precoces de normalidade ou não das articulações coxofemorais. Esta avaliação
poderá ser realizada em torno e a partir dos 7 meses de idade e/ou conforme
sintomatologia clínica.

A radiografia deve ser de excelente qualidade e feita com o animal anestesiado, a fim de determinar o perfeito relaxamento e obter o posicionamento correto. A exposição radiográfica deve incluir toda a pelve e as articulações fêmorotíbio-patelares, sendo que o foco central do raio-x será direcionado nas articulações
coxofemorais.

Para se efetuar o posicionamento, o cão é colocado em decúbito dorsal com os membros posteriores estendidos caudalmente e rotacionados medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. Os fêmures devem estar paralelos entre si, com o eixo da coluna vertebral, e com a superfície da mesa. A pelve deve ser posicionada paralela à mesa, sem inclinação, onde o canal pélvico
aparece redondo ou simetricamente ovalado, as asas ilíacas da mesma largura, os forâmes obturadores simétricos entre si e as articulações sacro-ilíacas semelhantes. A cabeça alinhada com o eixo da coluna vertebral e os membros anteriores estendidos cranialmente de forma simétrica. Deve se evitar ao máximo que o peito do animal esteja inclinado lateralmente.

Após realizar a radiografia verifica-se se está de acordo com os padrões de técnica e posicionamento, para à partir dai proceder ao diagnóstico. Qualquer erro de posicionamento é considerado pouco satisfatório para o diagnóstico radiográfico, especialmente em cães jovens que não tem alterações ósseas secundárias, e a alteração radiográfica de maior interesse, indicativa de displasia, é a subluxação.

A interpretação diagnóstica das articulações coxofemorais é feita associando-se a medição do ângulo de Norberg, com a avaliação de toda a conformação articular, ou seja, da forma e profundidade do acetábulo e seus bordos, da congruência articular (espaço entre a cabeça femoral e acetábulo), da forma, contorno e posição da cabeça e colo femorais, identificando a presença de qualquer processo articular degenerativo.

A classificação final é:

A HD- sem sinais de displasia coxofemoral
B HD+/- articulações coxofemorais próximas do normal
C HD+ displasia coxofemoral de grau leve
D HD++ displasia coxofemoral de grau moderado
E HD+++ displasia coxofemoral de grau severo

O PROVET oferece em suas unidades o diagnóstico para a displasia coxofemoral. Entre em contato conosco e informe-se como proceder o exame no seu companheiro de estimação. 

fonte: Provet