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16/11/2011

Fígado: como avaliar esse órgão tão importante


Por: Dra. Claudia Veronica Calamari - Médica Veterinária, MSc, PhD - Colaboração: M.V. Ricardo Duarte Lopes

Fígado: como avaliar esse órgão tão importante

O fígado é um órgão com diversas funções metabólicas e estima-se que realize cerca de 1500 funções bioquímicas essenciais para a sobrevida de um individuo como: metabolismo de carboidratos, lipídios, proteínas; síntese de proteínas plasmáticas e fatores de coagulação; detoxificação e excreção de medicamentos, toxinas e metabólitos; e a formação e eliminação da bile. É vulnerável a uma grande variedade de injurias, mas somente lesões que afetam a maior parte do parênquima poderão produzir sinais de insuficiência hepática. Trata-se de um órgão com grande capacidade de funcionamento e regeneração.

Os sinais clínicos mais comuns observados nas doenças hepáticas são:

- anorexia; letargia; perda de peso; opacidade da córnea; vômito; diarréia; poliúria; polidipsia; ascite, e icterícia.

Vale ressaltar que não só os distúrbios hepáticos primários, mas também alterações extra-hepáticas como doenças metabólicas, cardiovasculares e gastrointestinais podem causar alterações no fígado.

O Provet realiza alguns exames para auxiliar o médico veterinário identificar lesões hepáticas (AST, ALT, FA, GGT) e avaliar as alterações hepáticas (ácidos biliares, albumina, amônia, bilirrubinas totais e frações).

Como forma de avaliar a lesão no tecido hepático utilizamos as seguintes enzimas:

Alanina Aminotransferase (ALT)


Enzima livre no citoplasma dos hepatócitos e também em outros tecidos, e o aumento de sua atividade pode indicar lesão celular, pois assim é liberada para a circulação. É um pouco mais específica em cães e gatos e considerada a melhor enzima para determinação de lesão hepática nestas espécies.

Aspartato Aminotransferase (AST)

Assim como a ALT é uma enzima de extravasamento e encontra-se livre no citoplasma dos hepatócitos com sua maior concentração nas membranas mitocondriais, mas também está presente em outros tecidos como músculo cardíaco e esquelético. Utiliza-se esta enzima para diagnosticar doenças musculares, pois não é enzima hepato-específica.

Fosfatase Alcalina (FA)

É uma enzima de indução sintetizada: no fígado, nos osteoblastos, no epitélio intestinal, renal e na placenta. O aumento dessa enzima pode estar relacionado à colestase, indução por uso de drogas (corticóides e fenobarbital), aumento da atividade osteoblástica, doenças crônicas e neoplasias.

Gamaglutamiltransferase (GGT)

Assim como a FA é uma enzima de indução sintetizada em quase todos os tecidos corporais, principalmente no pâncreas e nos rins. Está presente nos caninos e felinos em baixa concentração. A lesão hepática aguda e colestase podem provocar elevação imediata da atividade dessa enzima devido à liberação de fragmentos de membrana que contém GGT. O uso de drogas glicocorticóides também pode induzir o aumento.

Para avaliar as alterações hepáticas podemos utilizar:


Ácidos Biliares

Estes ácidos são compostos citotóxicos secretados pelos hepatócitos e excretados através da bile. Sua concentração no sangue periférico é baixa e qualquer distúrbio envolvendo os componentes estruturais do fígado pode causar o aumento dos ácidos biliares no sangue. Este exame é mais sensível que a bilirrubina e a alteração pode ser detectada antes do aparecimento da icterícia. Portanto este teste é de grande valia quando se pretende determinar que a icterícia seja de origem pré-hepática, a fim de se eliminar a doença hepática como causadora da icterícia ou detectar anomalias congênitas do sistema porta. O Provet recomenda a dosagem de ácidos biliares em jejum de 8 horas e pós 2 horas da alimentação para o diagnóstico de shunt hepático e os resultados são liberados em até 3 dias.

Albumina

É uma proteína de alto valor biológico presente no sangue, na clara do ovo e no leite. Observamos a hipoalbuminemia (diminuição da albumina no sangue) em cães que apresentem perda de 60 a 80% da função hepática, muito comum em cães com hepatite crônica.

Amônia

É um composto nitrogenado proveniente da degradação de proteínas, e o aumento dessa substância no sangue pode indicar processos hepáticos agudos, avançados ou desvio portosistêmico. O fígado metaboliza a amônia em uréia e esta por sua vez é eliminada através dos rins pela urina.

Bilirrubinas Totais e Frações

A bilirrubina pode ser formada: pela degradação alimentar proveniente dos intestinos ou através do metabolismo da hemoglobina de hemácias velhas fagocitadas por macrófagos (Bilirrubina não conjugada). No fígado a bilirrubina é desligada da albumina e conjugada com o ácido glicurônico para formar a bilirrubina conjugada. A elevação do nível de bilirrubina pode indicar doença hemolítica, alteração hepato-biliar e colestase.

O Provet possui 3 perfis hepáticos:

- Função Hepática: FA + TGP
- Perfil Hepático Reduzido: TGP + FA + Bilirrubinas totais e frações + Proteína total (albumina+globulina)
- Perfil Hepático Completo: TGP + TGO + FA + GGT + Proteína Total + Bilirrubinas totais e frações + glicose

Para a realização destes testes bioquímicos, o animal deve estar em jejum alimentar de 12 horas e basta enviar ao laboratório uma amostra de 3 mL de sangue soro (tubo de tampa vermelha ou tampa amarela contendo gel ativador de retração de coágulo), ou em frasco de heparina de lítio (tampa verde) para o laboratório. Com exceção ao bioquímico dos ácidos biliares, os resultados são liberados em até 24 horas ou para um período de 4 horas se requisitado com urgência.

A equipe do Laboratório do Provet está disponível para esclarecimento de dúvidas junto ao médico veterinário. Qualquer problema ou dúvidas entre em contato conosco.

Leitura complementar sugerida:

http://www.revista.inf.br/veterinaria13/relatos/rc%2010.pdf

http://coralx.ufsm.br/ppgmv/marcia_cristina_da_silva.pdf

http://www.revista.inf.br/veterinaria11/revisao/edic-vi-n11-RL45.pdf

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20180206


http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1352416


http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9584348


http://www.fmv.utl.pt/spcv/PDF/pdf9_2004/551_137_143.pdf



CENTER, S. A. Fisiologia, Diagnóstico Laboratorial, e Afecções do Fígado. In:
ETTINGER, S. J; FELDMAN, E. C. Tratado de Medicina Interna Veterinária:
Moléstias do cão e do gato. 4ª ed. São Paulo: Manole. v. 2, Cap.106, p.1745-1817, 1996.

JOHNSON, S. E. Afecções do Fígado. In: ETTINGER, S. J; FELDMAN, E. C. Tratado de Medicina Interna Veterinária: Moléstias do cão e do gato. 4ª ed. São Paulo: Manole, 1997. v.2, Cap.106, p.1745-1899.

TILLEY, L. P.; SMITH, JR., F. W. K. Insuficiência Hepática em Cães. Consulta
Veterinária em 5 Minutos Espécies Canina e Felina. 2ª Ed. São Paulo: Manole, 2003.


fonte: Provet