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01/02/2011

Leishmaniose: como diagnosticá-la corretamente?


Por: Ph.D Cláudia Calamari e Ph.D Priscila Viau Furtado - Médicas Veterinárias
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A Leishmaniose é uma doença infecciosa causada por diferentes espécies do protozoário do gênero Leishmania e transmitida ao homem e animais através da picada de mosquito flebotomíneo do gênero Lutzomyia conhecido como “mosquito palha” ou “mosquito birigui”. Leishmania são parasitas intracelulares capazes de resistir à fagocitose intracelular dos macrófagos, pois não são digeridos por ácidos e enzimas dos lisossomos. Pessoas e animais infectados podem ser considerados reservatórios da doença já que o mosquito ao sugar o sangue destes, poderá transmití-la à outros indivíduos.


Manifestações da Doença

A doença pode se apresentar de 3 formas: visceral, cutânea e mucocutânea. A forma visceral ou calazar como também é conhecida é a manifestação mais severa da doença, pois o parasita migra para órgãos como baço, fígado e medula óssea e sem tratamento leva a morte do hospedeiro. A forma cutânea apresenta pápulas e úlceras irritantes no local da picada do mosquito que evoluem para formação de crostas, hiperpigmentação da pele e cicatrizes feias. A leishmaniose mucocutânea é semelhante à cutânea, porém, com lesões maiores e profundas que se estendem às mucosas de boca, nariz e genitais.

Os sintomas no cão são variáveis sendo comum o aparecimento de lesões de pele acompanhadas de descamação, úlceras, perda de peso, lesões oculares, atrofia muscular e crescimento exagerado das unhas.


Epidemiologia

Existem mais de 30 espécies patogênicas com diferentes formas de manifestação da doença dependendo do agente etiológico. No Brasil, já foram identificadas 7 espécies sendo 6 do subgênero Vianna e uma do subgênero Leishmania. A espécie Leishmania infantum chagasi é considerado o agente mais patogênico da forma visceral, podendo ter canídeos como reservatório da doença. A L. amazonensis está presente nas Américas tem os roedores como reservatório e produz lesões cutâneas. Como representante da forma mucocutânea, a L. braziliensis produz úlceras em pele e lesões graves na mucosa nasofaringea, roedores e gambás são seus reservatórios.

No Brasil a doença está disseminada por todo território nacional e os maiores números de casos registrados encontram-se nas regiões Norte e Nordeste e estado de Minas Gerais. Cidades do interior paulista como Bauru, Araçatuba, Andradina, Birigui entre outras já registraram números alarmantes da doença. Mais de 50% dos cães da cidade de Corumbá no estado de Mato Grosso do Sul tiveram diagnóstico positivo para leishmaniose.

A Leishmaniose é doença de notificação obrigatória pelo veterinário clínico responsável. O tratamento de animais infectados com medicamentos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento são proibidos por lei.


Diagnóstico

No Provet temos disponíveis 2 métodos diagnósticos sorológicos que baseiam-se na busca de anticorpos anti-Leishmania no soro de cães suspeitos: a Imunofluorescência Indireta (IFI) e o Teste ELISA com seus resultados entregues em 7 dias. Basta enviar ao laboratório uma amostra de 3ml de sangue em tubo seco do animal, podendo ser solicitado serviço de busca na clínica ou encaminhar o animal para a coleta diretamente nas Unidades Aratãs ou Anália Franco.

O Ministério da Saúde recomenda a triagem com o Teste ELISA e a confirmação com titulação acima de 1:40 pela Imunofluorescência. Os testes sorológicos apesar de serem rápidos e de baixo custo podem apresentar resultados falso-positivos em animais vacinados contra a doença.

Recomenda-se então a confirmação dos resultados após 30 dias com nova amostra sorológica ou ainda a pesquisa direta do parasita através da Análise Citológica do linfonodo, baço ou medula, também realizados pelas unidades do Provet.

Os veterinários podem contar também como o diagnóstico através da técnica de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) onde se identifica a presença e espécie do parasita por meio de seu DNA se estes estiverem presentes na amostra enviada ao laboratório.

A seguir os exames realizados pelo Provet para auxiliar o veterinário no diagnóstico:

ELISA para Leishmaniose
- material soro sanguíneo, coleta em tubo seco, resultado em 7 dias;
IFI para Leishmaniose
- material soro sanguíneo, coleta em tubo seco, resultado em 7 dias;
Análise citológica
- punção de linfonodo, baço ou medula, resultado de 1 a 3 dias;
PCR para Leishmaniose
- material linfonodo, medula ou pele, resultado em 10 dias.


Considerações Finais:

Em se tratando de uma zoonose tão importante para a saúde pública, a equipe de veterinários do Provet sugere a realização dos exames sorológicos para triagem. Análise citológica e PCR, a fim de se comprovar o diagnóstico de animais considerados suspeitos e diagnósticos diferenciais com outras doenças que apresentem manifestações cutâneas.

Entre em contato com o Canal Veterinário Provet através do telefone: 3579-1479 e fale com a equipe do laboratório.

 

fonte: Provet