Artigos técnicos

05/12/2011

Pancreatite: uma nova visão de diagnóstico


Por: Dra. Claudia Veronica Calamari - Médica Veterinária, MSc, PhD

O pâncreas é um órgão comum aos sistemas endócrino e digestivo. Está localizado próximo ao estômago e o intestino grosso e suas principais funções são: a produção de insulina e outros hormônios que regulam o metabolismo de carboidratos e secreção de enzimas digestivas que auxiliam a quebra de gorduras, carboidratos e proteínas da dieta ingerida.

Assim como outros órgãos, o pâncreas pode sofrer diversas alterações estruturais e funcionais desencadeando doenças como: diabetes e pancreatite.

As enzimas inativas secretadas pelo pâncreas são ativadas no intestino delgado durante o processo de digestão e quando a pancreatite se desenvolve, estas enzimas se tornam ativas no próprio pâncreas digerindo ele mesmo.

A pancreatite deve ser considerada em todos os cães que apresentem sintomas como: vômito, anorexia e dor abdominal. A doença pode ocorrer em cães fêmeas e machos de meia idade a idosos. Algumas raças são mais predisponentes como: Schnauzer, Airdale, Poodle e Lhasa apso.

Alguns fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da doença como: obesidade, dieta com altos teores de gordura, uso de fármacos (azatioprina, diuréticos, tetraciclinas, brometo de potássio, compostos estrogênicos, agentes quimioterápicos) e doenças intercorrentes (infecções, isquemia pancreática e uremia).

A ocorrência de pancreatite em cães é comum, porém o diagnóstico utilizado até pouco tempo atrás, a dosagem de concentrações séricas de amilase e lípase, detectam apenas 50% dos animais que apresentam a doença. A amilase não é uma enzima específica do pâncreas sendo secretada também pelo pulmão, cérebro e duodeno. Estudos sugerem que assim como em humanos, mais de 90% dos casos de pancreatite em cães permanecem sem diagnósticos, por isso a utilização de um diagnóstico precoce permitiria a realização de tratamento mais efetivo.

Pensando nisso, o PROVET traz com exclusividade para o Brasil e América Latina o teste Spec cPL® da IDEXX, específico para lipase pancreática canina. O teste utiliza um anticorpo monoclonal e a tecnologia de antígenos recombinantes sendo realizado somente pelos laboratórios de referência da IDEXX.

O teste apresenta 96% de especificidade e 82% de sensibilidade para pancreatite canina e ao contrário da lipase sérica, as concentrações de lipase pancreática canina (cPLI) não são alteradas por problemas renais ou administração de corticóides. O exame pode ser repetido em diferentes intervalos. O Spec cPL é um exame quantitativo indica as seguintes concentrações:

- ≤ 200 µg/L: concentração normal, investigar problemas hepáticos, renais e gastrointestinais.
- 201 e 399µg/L: concentração elevada, o paciente pode ter pancreatite, sugere-se reavaliação.
- ≥400µg/L concentração elevada compatível com pancreatite.

Por se tratar de um exame quantitativo o Spec cPL também pode ser utilizado pelo médico veterinário como forma de monitoramento do paciente com pancreatite. Para a realização do exame basta enviar ao laboratório 1 mL de soro e o resultado entregue em menos de 24 horas.

A equipe do laboratório Provet está disponível para esclarecimento de dúvidas junto ao médico veterinário. Qualquer problema ou dúvidas entre em contato conosco.


Leitura complementar sugerida:

http://www6.ufrgs.br/favet/lacvet/restrito/pdf/rev_jfss.pdf

http://www.idexx.com/view/xhtml/en_us/smallanimal/small-animal-health.jsf

Steiner JM, Broussard J, Mansfield CS, Gumminger SR, Williams DA. Serum canine pancreatic lipase immunoreactivity (cPLI) concentrations in dogs with spontaneous pancreatitis. J Vet Int Med. 2001;15:274.

Newman S, Steiner J, Woosley K, et al. Localization of pancreatic inflammation and necrosis in dogs. J Vet Int Med. 2004;18:488–493.

Huth, S.P. Analytical validation of an Elisa for measurement of canine pancreas-specific lipase. Vet Clin Pathol 2010: 1-8.

fonte: Provet